20 de março de 2011

Nostalgie..

Nostalgie.
Busco interesses. Recuso ligações. Os temores tomam forma, a mesma forma que eu rezava para que não atingissem. Pena, a maioridade independende da vontade dos pais em não querer que os filhos cresçam. Meu querer em pouco interveio, afinal, de que vale deter o crescimento da grama no jardim? Ela sempre cresce, a poda é que fica menos ou mais intensa ao longo das estações ou da desenvolta preguiça.
Sinto-me como uma egoísta, avarenta, aquelas que sempre quer ter vantagem sobre tudo. Ao mesmo passo em que esse desejo encontra-se intrínseco e passou, como um mal presságio. De novo, só existe dentro de mim.
Acho que os poetas sofrem mais. Os artistas são natos desarranjadores das evidências. Sensíveis por completo, se tornam visíveis intocáveis para evitar a mágoa do transtorno certo da decisão incerta. De fato, em brincadeira de gato e rato hora eles ficam face a face. E continuam a desmentir o caso ao acaso, sobrepondo reticências ao que grita por finais, não como decisão de uma vida inteira, pois a vida é sempre infinitamente maior, e carece de resultados finais para novos começos.
Acontecendo, acontece. E passa graça, passa oportunidade. Passa amor, passa. Tudo passa. E a nostálgica lembrança de que no passado tudo se resolveu passando, e até isso passou. Que bom! Vai passar, vai passar, eu sei. É tudo que eu sei.
E até isso passa.

"Além do mais quem busca nunca é indeciso..."

28 de fevereiro de 2011

Fascínio

O que me fascina em Jesus é esse poder que Ele tem de atravessar gerações, destruir distâncias, encurtar caminhos, como quem caminha de manhã à beira do mar, sem nada esperar. Olhá-lo me faz reavivar os desejos mais sinceros de uma alma. Traz a bondade aos meus olhos, salta à pupila o desejo de verdade, de respirar e expirar sinceridade em cada centelha dos meus dias.

O que me fascina em ser cristão é esse poder conferido de resgatar uma vida despretenciosamente, somente preocupando-se em estender a mão, a fé que, mesmo pouca, dá pra todo mundo. Jesus sempre multiplicando peixes de alegria desdobrada em simplesmente estarmos vivos e dispostos a viver, mesmo nos vacilos. Essa graça derramada cotidianamente, nas sobrevidas que restaram pelos confetes no chão. A festa passa, o holoforte se apaga. A única luz a reluzir será a interior, que somente eu terei o poder de apagá-la ou fazê-la iluminar, em cima da mesa ou debaixo dela.

Em tudo, vemos que se não temos amor, de nada vale, de nada temos a esperar, em nada temos a depositar esperanças, sonhos... Em nada. Mas, basta um olhar para reacender o que em mim espera.

Cotidiano. Estamos eu e meu Deus, que cuida de mim, como Pai atento a todas as necessidades. Vejo que minhas eivas tem importância sim, se as utilizo de matéria para alavancar a mudança que preciso ver acontecer em mim, na sincera continuidade da minha oração.

8 de fevereiro de 2011

Bem mais

Meu Deus, me cura de ser grande.. me faz uma eterna aprendiz de teus encantos, encontros, a viver de nostalgias, labor dos poetas...
Me cura desses conceitos instintivamente criados pela falsa sapiência das razões precedentes.
Te peço, me cura do medo do novo, dos sentimentos que em mim nunca afluiram.
Me cura dessa terrível meticulosidade sobre todas as coisas, em todas as coisas, por todas as coisas.
Me traz a beleza da infância, retoma meus pensamentos ao principio da esperança, na criação dos sentimentos, em sua essência prima.
A pureza em seu diamante bruto, nas encostas das cavernas, de descobertas inintelegíveis.
Me cura esse insistir em antigo, esse desalento ao novo ser, o apego ao que em Ti não vigora.
O vento sopra.
Mais que vejo, sinto.
Mais que insisto, permito.
Mais que pelejo, me deixo.
Mais que perdão, amor.
Por fim, compreendo.
Mais que amo, sou...

20 de janeiro de 2011

Ato



Ato.
O movimento que me leva a trazer vida aos devaneios insondáveis da minha alma, até então, meros desconhecidos. Meus conhecimentos internos de apreço arredio aos meus intentos mais sinceros.
Constância.
Linha tênue de ser e dever ser, que carregam consigo toda uma história.
Trazer movimento ao sentido.
Razão de ser da existência, amar é a arte de atribuir sentido. Trazer ao gesto da razão a emoção da alma.
Carregar ao passo o compasso das batidas do peito. Transmutar sensações em intenções percebidas.
Verbalizar.
Conjugar as realidades que se diz vividas, se mostram em seus sinais carregados de direção. As perdas são inúmeras, mas nunca é tarde para lembrar que renunciar-se é um ato encharcado de significações, e não encerra-se em si mesmo. Aliás, computa-se perdas em que parâmetro?
Quando se muda de direção, o ponto de chegada deve ser a variável de correto alinhamento das razões.
Ato.
É nele que carregamos de vida as intenções da alma, ou não.

5 de janeiro de 2011

Cotidiano.

Gostaria, meu bom Deus, de ter as respostas certas e polidas para este homem. Mas, pera lá, pérolas aos porcos também é desperdício... Como, então, não restar em meus atos a omissão diante de Tua rara e sempre beleza? Sempre e constantemente urgem súplicas de incompreensíveis transgressões ao universo do Sagrado, Divindade jogada aos esgotos, desapercebida heresia cotidiana. E o menino sorri, com a graça de um recém nascido, as ânsias de uma mãe que precisa voltar a trabalhar, na minha mente inquieta. Ainda faltam muitos dias, mas voando se vão os anos, quanto mais vinte e quatro horas de uma vida inteira... E continuam a verbalizar as contravenções ao meu Divino. O outro diz que aceitou Jesus, mas o primeiro é um insistente Tomé: somente lhe salta à pupila os ganhos humanos, e não crê além da montanha dos interesses financeiros, a não ser que o próprio Cristo reencarne mais uma vez e faça tudo outra vez, por suas próprias mãos. Além do horizonte, eu sei, existe um lugar. E me basta. Bastará para ele? Morrerei sem saber. Aliás, saiu da sala, com a graça de meu bom Deus. Os outros abriram a questão. O irmão desistiu, calou. Deve ter entendido minhas palavras de aceitação do Evangelho ou nada, ou então meu silencioso olhar de “não jogue pérolas aos porcos, não minimize uma graça tão sobre-humana” para ele, penalizada e agradecida a Deus por ser tão fiel ao seu chamado. E continuei, na tela do computador, vistas, olhares, percepções desavisadas de aclamados “sim” e “não” ao Criador do mundo. Senhor, perdoa-lhes, eles não sabem o que dizem... Porventura, dão graças a Deus em cada benção percebida. Não seria reconhecimento da Tua existência? Afinal, já dizia o poeta: “em cascalhos disformes e estranhos, diamantes sobrevivem solitários.” Afinal, o que muda é tão e simplesmente a denominação do sentimento que arremata o coração, nomenclaturas vãs de lugar algum além da mente humana.

22 de dezembro de 2010

Apenas mais uma mensagem de Natal..

O tempo. Esperas e demoras de algo que há de vir. Conjugado em várias terminações, este temido inimigo interpõe-se aos nossos desejos de realização, como a ostra na formação da pérola necessita sofrer nas tardanças de seus incômodos. Enquanto penso, observo o presépio: Pai, Mãe, Espírito e vida, estendidos ao milagre de verbalização do Amor.
É assim: somente aquele que se demora na espera é capaz de se entregar à realização do que almeja de verdade, seja em nossa vida humana ou espiritual. Na busca de um bom emprego, na tão sonhada defesa da tese de formatura, na prova do Enem que tive que refazer por motivos omissos, ou até impudicos, na mudança que espero em minha casa, na minha unha encravada que não sara, é assim. Quando imagino tardar minhas demoras, vem Jesus, menino de colo, mudar-me todos os parâmetros. Pede-me mimos: esperança doada em olhar e virtudes, que se desdobrem em meus milagres e entregas diários. Pede-me promessas, um pouco, mais ainda, do que penso ser muito, e enxergo com lente de aumento o diminuto esperar de um dia inteiro.
A busca. Incessante, como as estrelas do Céu. Sempre estiveram lá, e estarão até o fim dos tempos. Faróis guias da salvação vindoura, futuro cheio de esperanças e consolos. As estrelas nos inspiram a recordação de viver em partes as marcas do Eterno. O céu nos inspira a eternidade de um passado cheio de futuro. Renovo meus sentidos, fazendo memória de meus vínculos familiares, espirituais, humanos: as realizações de uma vida inteira dedicada a ser feliz, mesmo nos erros. Nisso, convidados somos a voltar às origens de nossos primeiros passos, aquela que nos ensinou a andar e Aquele que nos ensinou a viver: ritos simbólicos que atualizam uma presença real, sensível mesmo que impalpável.
Tempo, tempo... O coração lateja sorrateiro a espera da presença de uma manjedoura carregada de esperanças, mesmo que o milagre venha a tardar, ou nunca chegue: o Deus menino sempre vem, Ele sempre chega a cada ano, sem nunca ter partido. Por isso, hoje mais que pedir, precisamos estender nossas intenções ao lapidar Divino, para que Sua luz encontre nossas esperanças de amanhecer, verbalizando os tempos de nossas esperas.
Amar o hoje em vista do amanhã, e continuar a desdobrar Jesus a cada dia mais, revivendo o Verbo na própria carne: Eucaristias doadas ao mundo, em plenitude de graças à Deus, no cotidiano ordinário de vidas abençoadas na graça de permear vida... Vida! Senhor Jesus, realizas em nós o Teu Natal, como se fosse a primeira vez. Inunda-nos com Teu Amor e Tua graça, Amém!

9 de dezembro de 2010

Em Deus, sou poeta.

Oceanos que não secam. Certezas compiladas na confiança de que o amanhã sempre vem. O sol que nasceu, a chuva matinal que regou as esperanças vulgares, marginalizadas pelos dias cheios de futuro. O que há de ser, já foi. O que há de vir, já existiu.
As belezas desbravadas pelos olhares desajustados de especialistas, que percorreram livros e livros, semanas e madrugadas em busca do óbvio.
As certezas. Sempre tão necessárias ao sentir, ver, ouvir.
Os fatos. Sempre tão necessários e minuciosamente desvendados e revertidos em sinônimos e explicações, índices, números: complexas ligações ao saber, esmiuçado em palavras.
O verbo. Célula germinal do amanhecer. A fecundidade do germinar o sentimento. As traduções, anônimas testemunhas da fertilidade inutilizada, riquezas de um fluir sem fim!
Eternos marginais da alma. Viciados, como o crack ao mendigo do centro da cidade. Os desejos se tornam donos, e pensam ser donos dos desejos... O poeta se encanta pela alma que deseja possuir, pensando ser livre, se faz prisioneiro: dos pensamentos seus que lhe limitam a rachar em míseras partículas um dom inteiro.
Observo os vitrais, já belamente poetizados por Adélia, Fábio. E, mesmo em cacos, continuam belos. Aliás, arrisco-me a dizer que sua beleza reside em seu partir pretérito, sabe lá Deus por qual motivo.
Não entendo, por muito, as razões do ruir. Mas cato, como um poeta busca dentro de si as palavras de um belo poema, os pedaços de vitral marginalizados por tantos, como eu, como eu: uma alma constantemente amanhecendo... Desconhecidamente agraciada, por si mesma.