21 de julho de 2009

Espera...

Necessidade de não saber.
Necessidade de me lançar ao desconhecido, sabido melhor pra mim.
Meus prantos bem o sabem como é doloroso ser o que se pode alcançar...
Saber necessário vencer etapas, assassinar os medos, chorar, chorar, chorar...
Choro que não é em vão, pranto que cai no chão e deixa marcas.
Na face, o leito do rio de lágrimas deixa vestígios de uma solidão acompanhada de certezas, sensíveis porquanto não palpáveis.
A alma alcança o que os olhos não podem ver, sensação de impotência boa, abandono nas mãos de alguém, e de Deus.
Esperar. Nunca soube.
As atitudes se escavaem de mim como crianças mal criadas, mas desta vez estão adestradas, pelas vontades que permeio em meu jardim particular.
Meu céu, futuro céu, presente céu.
Em mim, durmo e acordo, em preparação para o amanhecer que vem no horizonte, com cherinho de mata fresca.
É tão lindo o por do sol, deixa no coração as lembranças de um dia cheio de futuro.
Mas mais lindo ainda é o nascer do sol, que traz as certezas de um presente, uma nova página, pra que possamos escrever nossa história, com oportunidade de acertar dessa vez.

5 de julho de 2009

Um olhar, um silêncio.

Não sei explicar o que senti.
Não sei como exprimir o que vivi.
Os sentimentos tão fortes, o peito palpitava como nunca antes sentira.
Meus lábios paralisaram, minha voz emudeceu.
Paralisada, estática.
Versos, sons, musica, melodia, nada importavam, nada me alcançava, a não ser Aquele olhar, sublime olhar, profundo olhar.
Nunca antes pensara na profundidade do Amor, como naquele instante.
Um olhar.
Parar para olhar.
Olhar.
Um momento, um instante, onde nada me era pedido, nada me era cobrado.
Nada precisava fazer nada, a não ser olhar.
Nada precisava pedir nada, aliás, nada me vinha a mente, a não ser olhar.
Admirar.
Amar.
Ver além do que se mostrava.
E, olhando além, sentir o que sempre esteve dentro de mim.
Engraçada essa história de se descobrir. A gente sempre teve tudo, e pensando ser pobre, vive como mendigo que guarda dentro de uma sacola velha um grande tesouro, que paga e apaga todas as marcas da vida mal vivida, dos cafés da manha mal tomados, das noites mal dormidas, de tudo que tornou minha vida infeliz.
Ai, certo momento, nossa alma se inquieta e chora, chora, e chora mais um pouco. Chega a soluçar, e o coração sente saudades do que sabe que pode viver, melhor, pra sempre e mais.
É quando a gente, de repente, se lembra que pode abrir a sacola e buscar o alimento, que nenhuma padaria vende. Pode se levantar do chão, alicerçado na palma Daquela mão que sempre esteve estendida a nos e tomar um belo banho, ficar cheirosinho, voltar a ter dignidade.
Ai, mais de repente ainda, a gente lembra de olhar para o lado e descobrir que nunca estivemos sozinhos de verdade, e que sempre fomos abastados, de misericórdia e amor, muito amor...
A partir dai, o descobrimentos se desdobram tanto e de tal modo, que nossas almas não desejam mais nada, nada anseiam, nada esperam, apenas se abandonam naquele olhar, que erguida a cabeça, encontrou-se com o nosso, em momento inesperado, em noite que nada tinha de especial, a não ser o Olhar.
Foi ai que entendi que olhar para Jesus Eucaristico me dizia mais de mim do que eu supunha.
Foi ai que percebi que minha vida tem, sim, muita importância na vida dos que Deus me prestou aos cuidados.
Foi ai que assimilei que minhas atitudes tem poder de mudar a minha vida eternamente.
Etc, etc, etc...
E foi assim, assimilando, entendendo, percebendo, que me percebi amando de verdade o Amor, com a profundidade que o Amor merece ser amado, ou pelo menos, a profundidade que me cabe, meus 100% do momento. Foi quando entendi que meus "apesares" não pesam, e que minhas infidelidades me aproximam e muito do meu Jesus, que minha vergonha da misericórdia Divina era, simplesmente, medo de Amar a Deus na medida que tenho necessidade verdadeira de amar.
Foi quando percebi que poderia abrir a sacola, e adentrar Aquele belo coração, e, em posição de reencontro, me apossar do território que sempre foi meu, rico de todas as belezas que o coração do próprio Deus transpassado pode proporcionar, lá no lado aberto.
Quem diria... o mais culpado pelos humanos, responsável pela abertura do coração do Meu Jesus, doidinho pra se dar a nós...
Aquele soldado só podia rezar, muito, muito, pois prestou um importantíssimo papel a todos nós: abriu o coração de Jesus que jorrou a agua e o sangue redentores da nossa alma fraca, pobre... E é desse sangue que me banho cotidianamente, e, mesmo esquecendo muitas vezes de quem eu sou e voltando a condição de mendiga, que nega a sua herança, instantaneamente me vem o desejo de abrir minha sacola e me apoderar do meu tesouro.
E assim vou vivendo, até o dia em que tomarei posse do que eu sou, verdadeiramente, eternamente...

2 de julho de 2009

Amor, simples assim!

Gosto das autenticidades. É por elas que sou apaixonada.
Gosto do miolo, daquela sem graça da verdade. Gosto de profundidade, altas altitudes, grandes abismos. Gosto do gostinho da amizade profunda, aquela que te faz raiva pra te dar consolo. Gosto do amigo sincero, aquele que te tira de casa, mesmo quando você está deitada de camisola as dez da noite da quarta feira, cheio de trabalho pra fazer no dia seguinte, so pra faze-lo feliz no dia do seu aniversario. Amo. Amo como nunca amei, a verdade, a simplicidade de olhar e amar, sem saber porque. Alias, venho pensando muito sobre os porques do amor. Se explico porque amo, nao amo. O amor é inexplicavel, ele é escoimado de duvidas. Sabe-se quem ama, se sabes porque amas, nao amas deveras. Se para amar tenho a necessidade de elencar todas as virtudes da pessoa amada, se para amar preciso antes lembrar-me do que necessito para viver daquela pessoa, nao amo. Cheguei a conclusao de que o amor é aquele sentimento que vem e para, se instala no peito. Nao meço porque amo. Nao me pergunto porque amo. Nao me questiono porque amo. Simplesmente amo, e nao sei mais me lembrar da minha vida sem aquela pessoa no meu coraçao. E como amar a Deus. Se elenco todas as suas virtudes e por isso o amo, nao o amo de verdade, meu Amado nao merece tampouco carece dessa gentileza. Amo meu bom Deus porque nao sei me lembrar de ser gente de verdade antes de Ele entrar de vez em minha vida, pra fazer aquela bagunça e me mostrar que eu sou bela, a mais bela criatura das suas criaçoes... Simplesmente, amo. Esse amor que se instalou em mim e reluz em minhas atitudes e açoes. Amo por amar, vivo por amor! Simplesmente, amo. Sem nada esperar, sem me angustiar... pois amor que é amor é assim: chega de mansinho, brota no jardim da alma, e vive em constante primavera no ser de quem o permeia. Amor! Simples assim. E é ele que importa, meu jeito de amar. Desajeitado, amigo, paciente, benigno, saboroso, prazeroso, paciente, humano. Como a borboleta passeia pela paisagem sem nada esperar. Assim eu amo meus cativos, com amor sincero, que nada espera, nada deseja, apenas ama, com todo o coraçao, e espera que seu amor seja permeado em si e em outrem, pois de sentimento tao bom so podem nascer lindos frutos de amizade. "Flores sao todas as cores, de tantos amores, que nunca esqueci.. limpida passa por dentro essa seiva, verdade que me une a você..." Arvoreando, Maninho.