10 de agosto de 2012

Eu disse que te esperava.
Tô “perando”.
Tá ouvindo?
Tô esperando...
...
Será que demora?
Ou será que você esperaria por mim?

10 de julho de 2012

Bem mais


As paredes me sufocam, me tiram o ar.
As luzes apagam-se em desobediência às minhas ordens, que viraram súplicas, que tornaram-se pranto.
O tintilar de uma temporada inteira, as dores, os rugidos.
Sobram culpas, sobram motivos, mas falta ar.
As narinas buscam o que os pulmões desejam, e é meio consolo pensar em bondade.
Meio má, meio boa. O meio partiu-se ao meio e retornou ao seu sentido original: a demasiada escravidão do agradar.
Está tudo pelo meio, junto, misturado, e perdeu-se a estância, o estado, o trajeto.
Avisto o mar, revejo o que jamais fui, sinto pelo que o sonho parece verdade e esqueci de acordar.
Estico-me sem alcançar, as palavras que engasgam em meus medos, e tropeçam, mais uma vez, em meu andar desavisado, em meu amar errado.
Mas, o que seria o certo?
Fico confabulando sobre o indecifrável, buscando respostas as minhas intensas perguntas, aos sentidos que insistem em se impor a todos os acontecimentos.
E confabulo.
Ao horizonte, as ondas, ora mansas, ora intensas, sonorizam a paisagem.
Mais do que eu vejo, sejam todas as coisas.
Mais do que o que sinto, seja tudo.
Mais do que a verdade que a vida insiste em espalmar a minha face, seja a minha vida.
Mais que a realidade que se mostra, seja a minha verdade.

23 de junho de 2012

A mulher que muito amou, amanheceu.

Lucas 7, 47 Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. ... Tua fé te salvou; vai em paz.



Fico pensando no dia seguinte daquela mulher. O que a moveria a partir de então? O que seria de seus amores, desejos, paixões? Até o encontro, seus movimentos eram certos, pois dominava a arte de encenar a própria vida. Com controle sobre os seus sentimentos, não sentia, e ignorada como era, ignorava-se, na surdina de si mesma. Seus olhos, sempre precipitados ao chão, encontravam o vaidoso orgulho de suas vergonhas. Queria, muito queria encerrar-se na multidão de mulheres donas de casa, queridas e amadas pelos seus. Mas bem sabia que o despudor de seus caminhos encontravam a solidão do preconceito. Passou a noite, amanheceu lindo dia, mas não sabia mais o que fazer, pois seus antigos afazeres não traduziam mais a beleza de seus olhos. Trazia consigo os perdões de uma multidão, em um único corpo que,  enfim, lhe pertencia, depois de muito tempo. Trazia em seu peito o amor de um mundo inteiro, e a felicidade de uma família completa, e seu vazio preenchia-se da paz que acometia-se seus encantos. Os olhos, serenos e a face lisa, linda. Sua alma, desnuda, como homem algum jamais a havia despido. Por fim, não mais encenou ou precipitou-se, aguardou a hora certa, o momento certo, e foi, como sempre sonhou: ela mesma.




28 de maio de 2012

Sutileza

Adianta não moço,
adianta não fazer força contra o natural.
Forçado fica moço,
forçado fica e o ombro dói de cansaço de tentar.
Pode não moço,
pode não pedir pra Deus,
ele pode se irritar da gente pedindo o tempo todo pra se mudar o tempo.
E voltar no tempo moço,
dá não.
O melhor é deixar de preocupar com futuro,
ou querer que ele chegue,
pois quando a gente chegar lá moço,
chegando lá a gente quer voltar e ter mais tempo.
Então espera moço,
Espera e espreita,
E tenta não se atrasar...

15 de maio de 2012

Faço conta disso, moço.
Faço conta no faz de conta que te conto.
Conto as vezes, conto os dias.
Um, dois, três.
Faço de conta que não, mas faço conta de ti.
Quatro, cinco, dez.
Some não, moço, some não.
É que meu coração tem urgências,
mas atenção é igual a passarinho, sabe moço,
atenção e passarinho só pousam onde querem.
Carece não, moço, carece não de pedir.
Coração e carinho se não se tem,
não se pede.
Igual a passarinho.

11 de maio de 2012

Chegou chegando...

No encalço de minhas esperas,
Aguardo o suspiro.
O sinal do devaneio.
A marca do desengano.
Me encanta cada gesto não visto,
Cada olhar escondido,
Nas distâncias desprezadas.
Chora a mulher,
Ri a menina.
Nos encantos do encantado moço,
Que passeia sereno nos terrenos perigosos de seu amor.
Se desdobra,
É valente,
Avança arrogante nos trajetos íngremes,
Virgens,
Esguios.
Nariz empinado,
Espada à postos.
Expostas estão todas as vaidades,
Vontades,
Desejos,
Coração.
Finge que não finge,
Ama e não desanda.
Vale de lágrimas,
Vive a fantasia do engano passado,
Vive a alegria de um amor verdadeiro.
Chora a menina,
Ri a mulher.
Cheirosa,
Vaidosa,
Encanta e se enfeita:
É a hora do amor,
Chegou a vez de amar.

9 de maio de 2012

Verde esperança

No gastar da paisagem,


Me vejo.


Não só,



me vejo.


De mãos dadas,


Me vejo.


À frente da televisão,


Me vejo.


No filme sem sentido,


Me gasto.


Abraçada,


No encalço de meu cativeiro.


Me vejo,


te gosto.


E me gasto.


Não mais na cinza,


Mas no verde das horas.